REAL FORTE

Embora demonstre preocupação com a pressão inflacionária, a indústria comemora o que chama de “novo patamar cambial” e pede mais: para executivos consultados pelo Brasil Econômico , a cotação ideal do dólar, que garantiria a retomada da competitividade internacional, gira em torno de R$ 2,30 a R$ 2,40. “A desvalorização traz um ambiente mais favorável à competição, mas a volatilidade preocupa”, resume o gerente de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castello Branco.O Real forte dos últimos anos é apontado pela indústria como um dos principais motores da perda de competitividade brasileira com relação a produtos importados.

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Dado mostrado com frequência por industriais nos mais diversos fóruns mostra que a participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 27% em 1985 para 13% em 2012. As indústrias química e têxtil reforçam o argumento citando o aumento nas importações nos últimos anos – o déficit comercial do setor químico em 2012 foi de US$ 28,1 bilhões; o do setor têxtil, de US$ 6,5 bilhões.

“O câmbio minou a competitividade da economia brasileira e o resultado é esse avanço nas importações. Câmbio valorizado subsidia a importação e taxa a exportação. Toda a indústria perde”, diz o diretor de relações internacionais da Federação das Indústrias de São Paulo, Thomaz Zanotto. Segundo ele, a Fiesp trabalha com uma taxa de câmbio ideal entre R$ 2,30 e R$ 2,40 por dólar.

“Realmente, o câmbio continua supervalorizado e infelizmente temos que competir com países que tem política de câmbio desvalorizado”, completa o diretor da Fiesp. Ontem, a cotação da moeda norte-americana fechou em alta de 0,82%, acima do patamar de R$ 2,15 pela primeira vez em quatro anos. Anteontem, o Banco Central chegou a fazer duas intervenções no mercado para tentar conter o movimento de alta.

“Não podemos mais voltar a patamares cambiais anteriores”, defende o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo, para quem o dólar ideal para garantir a competitividade brasileira gira em torno dos R$ 2,40. “É o dólar real, se considerarmos o câmbio artificialmente desvalorizado da China, da Indonésia e da Coreia”, justifica. Para ele, a pouca competitividade brasileira tem segurado investimentos em ampliação da capacidade e, hoje, um terço do mercado brasileiro é atendido por importações.

A expectativa do mercado é de que a taxa se mantenha alta, diante dos sinais de juros maiores nos Estados Unidos. “Muito dificilmente teremos câmbio sobrevalorizado como antes. O mercado está se antecipando a medidas do Fed (Federal Reserve Bank, o banco central norte-americano)”, diz Castello Branco. Ele prefere não falar em dólar ideal e alerta para os riscos da volatilidade cambial para os negócios. “É ruim para exportadores, que têm dificuldades para fechar contratos, e para empresas com alto endividamento em dólar.”

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Aguinaldo Diniz Filho, defende o dólar na casa dos R$ 2,30. E chega a sugerir intervenção para que a taxa chegue mais próxima à considerada ideal pela indústria. “Até a Suíça mexeu no câmbio para aumentar competitividade”, diz. Na última entrevista de balanço do setor, no mês passado, o presidente do Instituto Brasileiro do Aço (IABr) também falou em intervenção cambial para que se chegue a uma taxa de R$ 2,40 por dólar, considerada ideal para conter o avanço das importações de produtos siderúrgicos.

A velocidade de uma desvalorização, porém, é uma preocupação de todos os entrevistados, devido ao potencial inflacionário. “A indústria é penalizada com depreciação forte acompanhada de níveis inflacionários elevados. O custo aumenta e impacta a competitividade”, concorda o ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, Carlos Thadeu de Freitas. Para ele, medidas fiscais para conter a alta de preços e reformas que melhorem a competitividade devem entrar na pauta do governo neste momento. “Logística, infraestrutura e custos trabalhistas também têm grande impacto na competitividade e precisam ser atacados”, continua.

“A desvalorização é positiva desde que novas medidas fiscais sejam adotadas”, afirma Zanotto. “Me preocupa o fato de usarmos o dólar como índice para segurar a inflação, porque pode levar a indústria a uma situação complicada a curto e médio prazo”, completa Diniz Filho, que cita como avanços nesse sentido medidas tomadas pelo governo nos últimos meses, como a redução do preço da energia e a desoneração da folha de pagamentos, entre outros.

FONTE : http://economia.ig.com.br

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