Empresas brasileiras de TI buscam espaço no mercado internacional

Implantar padrão global de gestão é o que norteia estratégia de internacionalização de companhias nacionais do segmento de tecnologia

Um mercado consumidor interno atrativo somado a diferenças culturais, fatores de competitividade, alta variação do dólar, especificações técnicas e legislativas são alguns dos pontos que ainda pesam na balança na hora de tomar a decisão de se tornar uma empresa global.  Em 2012, a receita líquida de exportações gerada pelo setor brasileiro de TI alcançou a cifra de US$ 1,9 bilhão, segundo dados do Observatório Softex. O número pode ser considerado relativamente baixo quando consideramos que o País é o maior mercado de software e serviços de TI da América Latina e um dos dez maiores do mundo.

A internacionalização é algo recente para a TI brasileira e ainda não faz parte da cultura da maioria das empresas do setor. No entanto, apresenta-se como uma perspectiva de expansão frente ao crescimento da concorrência no mercado interno seja com empresas locais ou a presença massiva de companhias estrangeiras em território nacional.

A consolidação em mercados externos, especialmente os mais maduros como os Estados Unidos – principal destino das exportações da indústria brasileira de software e serviços em TI –, supõe muito mais que simplesmente abrir um escritório em outro país. “A internacionalização deve fazer parte do DNA da organização, buscando um padrão global de gestão em sua estratégia”, argumenta Gláucia Chiliatto, gerente-executiva internacional da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex).

Esse é o caso da Stefanini, companhia de soluções e serviços de ponta a ponta, que tem como um de seus principais focos romper fronteiras e se estruturar no mercado externo. A partir de 2009, a empresa iniciou seu plano estratégico de aquisições para ampliar sua presença em território brasileiro e internacional. Ao todo, foram dez aquisições nos últimos quatro anos, de modo a consolidar operações em 76 localidades distribuídas em 30 países. Como próximo passo, a companhia pretende abrir capital para levantar fundos para novas aquisições. “O objetivo da Stefanini é obter 50% ou mais de sua receita global com operações fora do País”; número que, segundo o diretor de desenvolvimento de negócios Gabriel Tinti, já está sendo alcançado.

Do mesmo modo, a Totvs, empresa de softwares e serviços de TI, passou por diferentes fases de crescimento desde sua fundação, em 1983, para começar a buscar novas oportunidades fora do País. Após a decisão de criar tecnologias baseadas em padrões abertos, em dez anos a companhia adquiriu 50 empresas pelo Brasil e América Latina como parte de seu projeto estratégico de consolidação, que culminou em 2005 com a abertura de capital da empresa.

Depois do Brasil, a organização tem como seus principais mercados a Argentina e o México. Apesar de não possuir negócios fechados com empresas nos Estados Unidos, contudo, cerca de 70% de seus investidores são deste país, onde sustenta um laboratório de desenvolvimento em Mountain View com objetivo de investir em pesquisa e inovação. Assim, a Totvs está vivendo hoje o que considera a fase de transformação em uma companhia de padrão global para pequenas e médias empresas, com foco de crescimento em duas frentes: América Latina e Estados Unidos, explica o diretor-executivo Vicente Goetten.

“Nós não temos que ir para todos os mercados para sermos reconhecidos como globais, nem precisamos fazer negócios na China e na Índia. Em vez disso, decidimos em quais mercados queríamos ter uma presença forte”, argumenta Goetten. Com foco em social, computação em nuvem, big data e mobilidade, a Totvs visa alinhar os trabalhos desenvolvidos com as equipes brasileira e norte-americana, enriquecendo ambas as frentes, “promovendo o compartilhamento do conhecimento e, sobretudo, atraindo investimentos e parceiros estratégicos localmente”.

Momento certo?

A recente e rápida expansão dos smartphones e a ampla adoção de novas ferramentas de comunicação social digital coloca hoje o Brasil em posição de destaque nas tendências tecnológicas mundiais. Nesse contexto, Paulo Bezerra, que atua no desenvolvimento de mercados internacionais da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), destaca a importância justamente de big data, computação em nuvem e mobilidade como janelas de oportunidades para as empresas brasileiras. “Além disso, elas contam com um diferencial muito grande frente aos concorrentes chineses e indianos: o foco no cliente”, acredita Bezerra. A presença de grandes companhias globais no mercado brasileiro também é um fator favorável à oportunidade de internacionalização.

O diretor-executivo da Totvs considera que a TI brasileira está vivendo um momento importante de união de esforços de diversos lados, seja pelos projetos Ciências sem Fronteiras e TI Maior, do Governo Federal, ou por iniciativas de entidades como Softex, Apex-Brasil e Brasscom, que estão ajudando a posicionar empresas brasileiras no mercado externo. “Nunca tivemos algo assim antes e será fundamental para impulsionar as empresas brasileiras a exportar softwares. O outsourcing não deve ser o nosso único foco, mas sim criar conhecimento para levar para fora do Brasil”, disse Goetten.

De portas abertas

Internacionalização foi o tema central da discussão levantada no Brasil IT+ Seminar, que ocorreu durante o Brasil Summit 2013, promovido pela Apex-Brasil em São Francisco (Califórnia, EUA). O evento tem como foco atrair investimentos americanos para o mercado de TI.

Desde 2005, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) desenvolve com a Softex um projeto de promoção de exportação do setor de software e serviços de TI do qual participam mais de 200 empresas que atuam em 15 diferentes verticais. Por meio dele, serão investidos mais de R$ 13 milhões até agosto do próximo ano em ações de promoção comercial.

Recentemente, a agência inaugurou seu novo centro de negócios na cidade de São Francisco com intuito de impulsionar as relações empresariais no Vale do Silício e de oferecer apoio a startups brasileiras. “Este é um momento favorável para as nossas empresas no mercado externo, uma vez que o País está bem posicionado não só como produtor commodities, mas também como provedor de inteligência”, afirma Mauricio Borges, presidente da Apex-Brasil.

Em julho, a Softex lançou uma edição customizada para as empresas do setor de software e serviços de TI do Programa Internacionalização e Competitividade (Inter-Com), desenvolvido pela Apex-Brasil desde 2011 em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC). O projeto está inserido no objetivo do governo brasileiro de transformar companhias brasileiras em players globais de TI, com enfoque em ecossistemas digitais de alto valor agregado e intensivos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Atualmente, 30 empresas fazem parte do programa, que está em seu estágio inicial e cuja meta é fazer com que 20 delas abram operações nos Estados Unidos até 2015.

 

FONTE: http://crn.itweb.com.br/46836/empresas-brasileiras-de-ti-buscam-espaco-no-mercado-internacional/

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